L.D.B.

Eu sei que devemos confiar em Deus. Mas alguns dias tudo que eu queria era que as coisas se tornassem claras. Qual o sentido de reviver esses sentimentos? O Senhor conhece meu coração e sabe que verdadeiramente eu o tinha entregado a Ti. Então porque permitiu que eles reacendessem, que expectativas fossem criadas e que eu me sentisse torturada na incerteza dos sentimentos dele?

O que eu te peço, Deus, é que meu maior contentamento seja Você, sempre; mesmo quando meu coração ansiar as coisas dessa terra.

O mal que não quero, faço - 12.11.2022

 Romanos 7:19-20 

‘’Porque não faço o bem que eu quero, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim.’’

Pai, a Tua Palavra fala que em pecado fomos concebidos e que aquele que diz que não tem pecado, não tem a verdade e engana a si. Desde o nosso nascimento, o pecado nos cerca e diariamente temos que lutar contra ele e como é triste todas as vezes que nos deixamos levar pela carne, pela nossa natureza pecaminosa, por nossos desejos egoístas, por nossa ira. O mal que não queremos, é esse que por vezes fazemos.

Que teu Espírito Santo nos confronte e incomode nesses momentos, que a lembrança da graça e do teu amor nos faça lembrarmos de quem somos filhos, quem somos em Ti e nos faça morrer, diariamente, para nos mesmos e buscarmos a santidade. Somos cristãos, pequenos Cristo, que verdadeiramente assim sejamos no nosso dia a dia. Viver em obediência à Ti é melhor viver.

Somos tua imagem e semelhança; então, ajuda-nos, Pai, a de faço ser. Que o Senhor olhe para nós e diga ‘’Tenho prazer em vocês!”. Queremos fazer a Tua vontade e agradar-te, te obedecer, como forma de amor a Ti.

Amém!

L.D.B.

Acabei de tomar um pouco de vinho e subi para o meu quarto. Ele já está fazendo seu efeito e trazendo uma certa tranquilidade. Mas nada se compara a leveza do olhar que ele me deu depois de nos darmos boa noite. O rosto inclinado em direção à porta em que eu estava e aquele sorriso tão sincero que tanto gosto. Como esse sorriso me traz paz!

É maravilhosa a sensação de naturalidade desse sentimento, dessa rotina compartilhada. Parece que ele (ele e o sentimento) sempre estiveram lá, sempre fizeram parte, sempre foram meus. Uma intimidade natural que cresce, sem esforços, sem dificuldade, apenas acontecendo.

Minha vida se misturando com a dele e isso é tão bom, tão leve. Não me sinto irracionalmente arrebatada por esse sentimento, mas ao mesmo tempo ele se faz presente e desperta algo bom e novo, porém tranquilo, racional. Um sentimento que me permite viver a paixão; e a racionalidade, conhecer quem ele é. Tudo como exatamente sempre pedi; um amor tranquilo.

É incrível como um simples, comum e rotineiro café da manhã compartilhado melhora o dia. E como a sua falta deixa um vazio. Sim, saber que vou vê-lo alegra meus dias. Ver seu sorriso, perguntar sobre seu dia e ouvir suas aleatoriedades são calmaria para a minha rotina. E sempre anseio pelo próximo momento juntos.

Hoje, dei boa noite e ao me deparar com aquele olhar e sorriso, a vontade era completar afirmando que o amo. Não o disse com palavras, mas com o coração já fiz incontáveis vezes. Sim, não sei se isso é bom ou ruim, mas eu o amo.



Solta e Desconectada...

Sempre me senti bastante segura comigo mesmo. Não arrogante; não esnobe; segura. Eu me sentia relativamente satisfeita, dentro do padrão de normalidade, com a forma que eu era e com o que eu sabia e buscava saber.

Em algum momento parece que eu me intimidei, que eu atrofiei, que eu perdi a confiança em mim.

Porque tenho me sentido tão pequena e intimidada?

Meu cérebro e minha mente não parecem os mesmos; a autoconfiança também não. Em algum momento, me perdi no caminho e isso tem me frustrado bastante.

Que acontecimentos fizeram eu perder a autoconfiança e como a exercer novamente? Como reafirmar para mim mesma que eu ainda estou ali? Que a minha coragem, ousadia, segurança, conhecimentos ainda estão aqui esperando algo que os destrave.

Sinto como se fosse um bloqueio. Alguns dias ele é pior do que outros e, nesses dias, é bem frustrante. Me sinto pequena e tola aos meus próprios olhos e dos outros. Chega a ser angustiante. Não queria me sentir assim. Não quero estar assim. Não quero ser assim.

De forma geral, o que se manteve foi o falar às pessoas, a oratória, o lado extrovertido e sociável. Esse, felizmente, de forma geral, se manteve. E ainda bem, sempre foi uma das minhas características mais fortes.

Porém de resto, tenho me sentido insegura. Meu cérebro parece não lembrar das informações da mesma forma há uns bons meses. A princípio até brinquei que poderia ter pegado covid de forma assintomática e o único resquício seria a perda de memória. Uma brincadeira; uma suposição; talvez uma verdade. Mas é algo que vem se somatizando e me deixando cada vez mais inibida.

Seria a perda de confiança depois da depressão? Perda de memória? O fato de trabalhar menos o cérebro depois de ter parado os estudos para concurso? Falta de atividade física?

Não sei. Simplesmente meu cérebro não parece o mesmo; minha autoimagem também não. E tem sido bem frustrante lidar com isso tudo.

Lembro de ter notado isso quando percebi que não conseguia levar a Palavra com a mesma facilidade, os pensamentos pareciam soltos. Também não consigo me imaginar tentando tocar uma música na frente de algum conhecido. Falar uma língua estrangeira é apenas quando a situação exige e sem rostos familiares por perto. Fujo de algumas conversas porque tenho consciência de que não vou conseguir organizar as ideias a tempo e nem lembrar bem de alguns pontos. Não gosto que me perguntem sobre a minha área, embora tenha ouvido algumas boas vezes que sou boa no que faço. Não adianta focar nos elogios ou nos fatos passados. Racionalizar não tem sido suficiente.


Eu pareço solta e desconectada. E eu sei que não sou assim.




L.D.B. - 11.12.2022

Inesperadamente, seu rosto é o primeiro que vejo no dia. Não consigo abrir a porta de casa, alguém esqueceu a chave do lado de dentro e não consigo colocar a que seguro em minhas mãos. Começo a pensar que não vou conseguir entrar sozinha em casa. Seus passos matinais silenciosos e ainda sonolentos te conduzem até à porta. Ao ouvir o barulho da chave, finalmente noto sua presença, que até então, na verdade, nem sabia que era sua.

A porta então se abre. Meu primeiro quase problema do dia resolvido. Meu resgatador vem. Ele surge em toda sua simplicidade cotidiana, em sua encantadora e familiar roupa comum. Me sinto em casa. Seu cabelo desarrumado é tão convidativo. Fiquei por um bom tempo com ele em mente. Aliás, repeti toda essa cena algumas boas vezes em minha mente. Em todas, seu sorriso sempre me acolhia, trazia paz e a sensação de estar em casa. ‘’Levantei para abrir a porta pra ti’’, a frase que ouvi de você logo cedo.

Chega a hora de um dos meus momentos favoritos contigo: o café da manhã. O alimento traz saciedade para o corpo. E a sua presença sacia meu desejo de compartilhar o início do dia contigo. Você dá cor à rotina dos meus dias. Queria poder parar e observar sua face com atenção. Seu sorriso que tanto me arrebata. Seus cabelos...ah, seus cabelos, como adoro quando você esquece de ser atencioso com eles. Sim, queria fotografá-lo minuciosamente em minha mente. Mas tudo não passa apenas de vontade e tenho que me contentar com pequenos relances.


Mesa do Café da Manhã - Casa dos D.B.

 ‘’Faz-nos sensíveis ao comum!’’


Hoje, deveria estar tomando café da manhã a 210km de casa, em uma cidade nova, com a curiosidade totalmente aguçada pelo o que viria.

Mas estou aqui na minha mesa de café da manhã cotidiana, ordinária, simples, conhecida, com a toalha manchada do suco de uva que tomamos ontem e a gota de café que derrubei hoje, a xícara habitual, sentada na mesma cadeira de sempre. Esse cenário é tão bom, e mais necessário, quanto que a mesa tão fartamente variada, com opções que, com certeza, me gerariam dúvidas e desejo, cercada de rostos desconhecidos e paredes nunca antes vistas.

Na minha, é onde a bondade e a vontade – boa, perfeita e agradável – de Deus querem que eu esteja e onde Ele me mantém por mais um dia. Onde nutro meu corpo e minha alma; onde refeições silenciosas trouxeram a paz de estar em casa depois de um dia cansativo; onde vozes já se atropelaram no anseio de contar o que aconteceu; onde eu compartilhei detalhes caóticos ou bons do trabalho do dia; onde o livro devocional e a bíblia estão ali bem perto; onde orações e louvores de gratidão antecederam a beleza da mesa ordinária.

Nesse exato instante, a mesa já foi tirada. Um gesto simples que sinaliza a necessidade de movimentar-se e começar os afazeres do dia. Observo dois irmãos na pia; um lava a louça e o outro, seca. Vejo um pai tentando entender a funcionalidade dos aplicativos do seu próprio celular. A mãe começa a se organizar. Faço o mesmo. A cena é simples, mas bem bonita. Estamos todos juntos hoje.

Amanhã, estarei aqui novamente, sei exatamente o que terá para ser servido e, sim, isso é bom. O comum é praticamente toda parte da minha vida, como não procurar exercer sua contemplação?

Ironicamente, o devocional de hoje abordou sobre a morte e a brevidade da vida. Então, penso: porque viver a raridade que essa dádiva é desejando o incerto e incomum café da manhã de hotel? Ele é bom, devemos experienciá-lo algumas vezes. Mas o que na maioria dos dias eu terei é o nosso simples e providencial pão de cada dia.


Novamente, ‘’faz-nos sensíveis ao comum’’.


Dualismo pessoal



Em mim, há uma força capaz de mudar o mundo.
Em mim, há a luta para mudar a mim mesma.
Em mim, tenho desafios diários para vencer.
Em mim, habitam ousadia e covardia.
Qual eu vou carregar hoje?

Em mim, está quem teme a mesmice.
Em mim, está o receio de arriscar.
Em mim, encontro sensibilidade para ver o outro.
Em mim, encontro o julgamento contra mim mesma.
Como vou escolher me ver hoje?

Em mim, mora a única capaz de me descobrir.
Em mim, mora a minha maior inimiga.
Em mim, existe o sorriso acolhedor.
Em mim, existe o olhar que condena.
Qual vai estar na minha face hoje?

Em mim, há a esperança de dias melhores.
Em mim, há a hipocrisia de quem não começa a mudança.
Em mim, tenho braços que confortam.
Em mim, tenho a boca que fere.
Como vou usar-los hoje?
Hoje, escolho minha melhor versão.
Amanhã, será uma nova luta.
Mas hoje vou despertar o melhor de mim.

Texto: Letícia Gabriele Saraiva

Felicidade que gera infelicidade

Ilustração de Gerhard Haderer

 ''O homem na ânsia de buscar a felicidade esquece de ser feliz'' 
    Aristóteles dizia que tudo que o ser humano faz é mirando a felicidade. Apesar de ter dito isso tantos anos atrás, esse pensamento pode ser considerado atemporal e aplicável a toda a história da humanidade. Sem prolongar muito essa ideia, comento apenas duas coisas:
1. Você conhece alguém que faça/planeje algo objetivando a própria infelicidade?
O que não significa que não sejamos infelizes em alguns momentos, mas não é uma situação premeditada, e sim, um resultado não desejado de alguma ação nossa ou reação nossa a ação de outro(os) e que ficamos entristecidos. Além das situações inesperadas da vida, que não estão no nosso controle, e que podem gerar infelicidade individual e mesmo coletiva. Mas não consigo imaginar uma pessoa que deseje infelicidade para si. 
2. Se você está lendo isso, certamente faz uso de redes sociais, com poucos minutos observando elas, percebe-se que a felicidade ou é desejada, ou exposta, ou ilusoriamente criada, ou invejada. 

Do comercial de margarina (e tantos outros comerciais) ao feed das redes sociais, a felicidade é o fim único, é a que é aceita nos mais diversos ambientes. Contemplar a felicidade é contemplar o novo belo, o fato dela ser real ou não é, no geral, um fato ignorado. De acordo com uma pesquisa, não seria exagero abordar a ''banalização da felicidade''.

O psicólogo Luciano Espósito Sewaybricker, ao realizar um pesquisa no Instituto de Psicologia da USP, disse ''Tanto será menor a qualidade da felicidade, quanto mais se fala dela, neste caso".  Referindo-se a nossa sociedade baseada no consumo (e eu, Letícia, audaciosamente me intrometo e estendo esse conceito do consumo a coisas não apenas materiais) e no desejo de satisfação. 
Retornando à frase inicial, cujo autor desconheço, e relacionando com a fala do psicólogo, a banalização da felicidade, que ocasiona essa perca em sua qualidade, explica porquê podemos buscar a felicidade e esquecermos de ser feliz. E porque isso acontece? Porque nunca estamos satisfeitos, a felicidade sempre parece estar no futuro. 

Viver uma vida baseada em um felicidade que parece nunca estar no momento, que ainda precisa ser alcançada, é viver uma vida de insatisfação. Pois sempre existirá mais para ser alcançado ou então o mundo externo manipulará essa ideia e criará novas ''necessidades'' para você. 

Na sociedade líquida relata por Zygmunt Bauman tudo é efêmero, ou seja, não permanece. O mundo se modifica a cada instante, o que pode gerar uma insatisfação e vazio, os quais podem gerar ansiedade. 
A busca incessante por uma felicidade inalcançável em um mundo tão mutável gera, no mínimo, o seu oposto: infelicidade. 

O que desassosega mais: a vida ou a morte?



Refletir sobre a morte sempre foi um costume e falar sobre nunca me foi um problema. Na minha casa, já me ouviram falar sobre doação de órgãos, cremação, onde jogar as cinzas e a música também já está escolhida.

Mas algumas perguntas sempre me deixavam ansiosa e com certo receio e, em alguns dias, ainda deixam: Será que eu vou saber viver? Será que eu vou aguentar viver? Será que eu vou saber lidar com a vida?

O que me traz calmaria e esperança é saber que a caminhada é mais importante que a chegada. É viver esse trajeto. É ter a plena consciência de entender que posso não ser ainda a minha melhor versão, não ser ainda a melhor cristã, a melhor filha, a melhor amiga, posso não ter chegado onde quero, não ter feito nem 1% das viagens que quero, nem alcançado metade da metade dos meus objetivos, mas que diariamente vivo para que isso se torne real. É sobre não me negligenciar, não me autossabotar. É sobre não culpar as circunstâncias ou os outros. É sobre se entregar, é sobre construir minha história e a viver diariamente. 

Viva com excelência, afinal é a sua vida, A SUA VIDA.

Como disse Bertolt Brecht, tema menos a morte e mais a vida insuficiente.
E Francisco de Quevedo, "Feliz serás e sábio terás sido se a morte, quando vier, não te puder tirar senão a vida." Por fim, Carpe Diem (aproveite o dia).

Legenda da imagem: você não simplesmente acorda e se torna uma borboleta, crescer é um processo. 


Amor é fogo que arde sem se ver - Luís Vaz de Camões

Amor é um fogo que arde sem se ver, É ferida que dói, e não se sente; É um descontentamento descontente,  É uma dor que desatina sem doer.  ...