Sempre me senti bastante segura comigo mesmo. Não arrogante; não esnobe; segura. Eu me sentia relativamente satisfeita, dentro do padrão de normalidade, com a forma que eu era e com o que eu sabia e buscava saber.
Em algum momento parece que eu me intimidei, que eu atrofiei, que eu perdi a confiança em mim.
Porque tenho me sentido tão pequena e intimidada?
Meu cérebro e minha mente não parecem os mesmos; a autoconfiança também não. Em algum momento, me perdi no caminho e isso tem me frustrado bastante.
Que acontecimentos fizeram eu perder a autoconfiança e como a exercer novamente? Como reafirmar para mim mesma que eu ainda estou ali? Que a minha coragem, ousadia, segurança, conhecimentos ainda estão aqui esperando algo que os destrave.
Sinto como se fosse um bloqueio. Alguns dias ele é pior do que outros e, nesses dias, é bem frustrante. Me sinto pequena e tola aos meus próprios olhos e dos outros. Chega a ser angustiante. Não queria me sentir assim. Não quero estar assim. Não quero ser assim.
De forma geral, o que se manteve foi o falar às pessoas, a oratória, o lado extrovertido e sociável. Esse, felizmente, de forma geral, se manteve. E ainda bem, sempre foi uma das minhas características mais fortes.
Porém de resto, tenho me sentido insegura. Meu cérebro parece não lembrar das informações da mesma forma há uns bons meses. A princípio até brinquei que poderia ter pegado covid de forma assintomática e o único resquício seria a perda de memória. Uma brincadeira; uma suposição; talvez uma verdade. Mas é algo que vem se somatizando e me deixando cada vez mais inibida.
Seria a perda de confiança depois da depressão? Perda de memória? O fato de trabalhar menos o cérebro depois de ter parado os estudos para concurso? Falta de atividade física?
Não sei. Simplesmente meu cérebro não parece o mesmo; minha autoimagem também não. E tem sido bem frustrante lidar com isso tudo.
Lembro de ter notado isso quando percebi que não conseguia levar a Palavra com a mesma facilidade, os pensamentos pareciam soltos. Também não consigo me imaginar tentando tocar uma música na frente de algum conhecido. Falar uma língua estrangeira é apenas quando a situação exige e sem rostos familiares por perto. Fujo de algumas conversas porque tenho consciência de que não vou conseguir organizar as ideias a tempo e nem lembrar bem de alguns pontos. Não gosto que me perguntem sobre a minha área, embora tenha ouvido algumas boas vezes que sou boa no que faço. Não adianta focar nos elogios ou nos fatos passados. Racionalizar não tem sido suficiente.
Eu pareço solta e desconectada. E eu sei que não sou assim.
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