Mesa do Café da Manhã - Casa dos D.B.

 ‘’Faz-nos sensíveis ao comum!’’


Hoje, deveria estar tomando café da manhã a 210km de casa, em uma cidade nova, com a curiosidade totalmente aguçada pelo o que viria.

Mas estou aqui na minha mesa de café da manhã cotidiana, ordinária, simples, conhecida, com a toalha manchada do suco de uva que tomamos ontem e a gota de café que derrubei hoje, a xícara habitual, sentada na mesma cadeira de sempre. Esse cenário é tão bom, e mais necessário, quanto que a mesa tão fartamente variada, com opções que, com certeza, me gerariam dúvidas e desejo, cercada de rostos desconhecidos e paredes nunca antes vistas.

Na minha, é onde a bondade e a vontade – boa, perfeita e agradável – de Deus querem que eu esteja e onde Ele me mantém por mais um dia. Onde nutro meu corpo e minha alma; onde refeições silenciosas trouxeram a paz de estar em casa depois de um dia cansativo; onde vozes já se atropelaram no anseio de contar o que aconteceu; onde eu compartilhei detalhes caóticos ou bons do trabalho do dia; onde o livro devocional e a bíblia estão ali bem perto; onde orações e louvores de gratidão antecederam a beleza da mesa ordinária.

Nesse exato instante, a mesa já foi tirada. Um gesto simples que sinaliza a necessidade de movimentar-se e começar os afazeres do dia. Observo dois irmãos na pia; um lava a louça e o outro, seca. Vejo um pai tentando entender a funcionalidade dos aplicativos do seu próprio celular. A mãe começa a se organizar. Faço o mesmo. A cena é simples, mas bem bonita. Estamos todos juntos hoje.

Amanhã, estarei aqui novamente, sei exatamente o que terá para ser servido e, sim, isso é bom. O comum é praticamente toda parte da minha vida, como não procurar exercer sua contemplação?

Ironicamente, o devocional de hoje abordou sobre a morte e a brevidade da vida. Então, penso: porque viver a raridade que essa dádiva é desejando o incerto e incomum café da manhã de hotel? Ele é bom, devemos experienciá-lo algumas vezes. Mas o que na maioria dos dias eu terei é o nosso simples e providencial pão de cada dia.


Novamente, ‘’faz-nos sensíveis ao comum’’.


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