Dois mil e vinte e dois - 2022 - foi um ano que não tenho sabedoria suficiente para o comentar. Um misto de sentimentos. Diversas realizações surpreendentes. Muito amadurecimento. E o cuidado de Deus em tudo. Como Tu fostes cuidadoso comigo em cada momento, até os difíceis eu lembro com carinho hoje, sou quem sou, me torno quem estou me tornando, por causa deles também. Aliás, arrisco dizer, acima de tudo por eles.
E tenho vivido um tempo de autoconhecimento intenso, descobertas de novos gostos e prazeres, surgimento de sonhos e desejos novos.
Viver tem sido tão intenso, desafiador, instigante que a minha forma de ver a vida tem sido intensa, desafiadora e instigadora. A vida é muito breve para não se permitir ser curiosa e intensa. Mas principalmente, a vida é muito curta para não te buscar em intimidade e conhecimento.
Verdadeiramente, tudo tem sido intenso. O trabalho tem sido apaixonante; as leituras, encantadoras; o desejo por teologia, instigador; a dança, intensa; as caminhadas, paz e reflexão; as amizades, curiosidade a acolhimento; os lugares, universos novos para conhecer; a música, reflexo da alma. E minha companhia, suficiente e satisfatória, na maioria dos dias, confesso que não em todas.
Desde os últimos dias, noto que algo ainda me falta, fruto do desejo incessante da natureza humana. Falta-me alguém para permanecer, que eu possa compartilhar da vida, das suas aleatoriedades, dores, prazeres. A pessoa que vai receber tudo de mim; tudo, o que for agradável ou não, tudo, absolutamente tudo. E ainda sim vai ficar. E vai ser bom.
Não que tu não sejas suficiente, Senhor, mas meus planos solitários não mais me satisfazem em alguns momentos. Quero dividir. Quero somar. Quero abrir mão. Quero que cedam. Quero que respeitem. Quero que construam comigo. Quero que esses momentos cheguem.